Médicos veterinários: Declaração contra exportação de animais vivos

Animals Australia

Animals Australia team

Last updated 28 March 2018

Um n úmero crescente de médicos veterinários, profissionais de sa úde e de bem-estar animal se opçõe à exportação de gado vivo por ser um princípio científico mundialmente aceito que animais devem ser abatidos o mais próximo possível do local de criação, para reduzir estresse e sofrimento inevitáveis inerentes ao transporte de longa dist√ɬ¢ncia.

 

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O Brasil atualmente exporta a cada ano dezenas de milhares de animais para o Egito e Oriente Médio para serem abatidos, com o comércio projetado para crescer de forma significativa. Essa viagem marítima de até 30 dias ocorre sem assistência veterinária suficiente — apesar dos elevados e variados riscos à sa úde e ao bem-estar de animais transportados por mar.

O gado brasileiro está sendo exportado para países com registros de crueldade, onde sequer existem padrções de manejo e abate humanitários, e práticas bárbaras, como corte de tendão e pendura de animais conscientes, ainda são rotineiras.

Este documento e o relatório de um médico veterinário com larga experiência no acompanhamento de exportação de gado vivo descrevem o impacto dessas exportaçções nos animais, falhas regulatórias sistêmicas do comércio e violação de diretrizes internacionais, e também apontam uma alternativa econ√ɬ¥mica viável a esta prática.

A Animals International convida a comunidade veterinária brasileira a apoiar a eliminação da exportação de animais vivos.

Investigação de exportação de animais vivos — Brasil 2017

 

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TRANSPORTE MARÍTIMO TRAZ RISCO INERENTE

Os maiores riscos para o gado durante longas viagens marítimas são lesções traumáticas devido ao mar agitado e pneumonia ou doença respiratória bovina. Em viagens de longo curso, o ac úmulo de fezes úmidas em navios pode levar o gado a ficar coberto de excrementos. Além de ser angustiante e não higiênico, esse revestimento fecal não permite à superfície do corpo dissipar o calor, ficando os animais sujeitos a maior risco de estresse térmico, o que pode ser fatal. Animais frequentemente sofrem e morrem por causa de estresse térmico, doença, ferimentos ou inanição por não conseguirem comer a bordo alimentos peletizados que não lhes são familiares.

TRATAMENTO CRUEL EM PAÍSES IMPORTADORES

Na última década, a Animals International realizou mais de 50 investigaçções em todo o Oriente Médio, √ɬÅfrica do Norte e Sudeste Asiático, revelando o brutal manejo e abate de animais ao chegarem em países importadores. Na maioria desses países, incluindo aqueles que o Brasil tem como futuros destinos de exportação, não existem leis para proteger animais de crueldade.

Na maioria dos países importadores, o abate é prolongado e com intenso sofrimento, estando os animais completamente conscientes no momento da sangria.

Em 2017, a Animals International documentou o manejo e abate de animais brasileiros no Líbano e no Egito. No Líbano, tentativas de conter animais assustados levaram rotineiramente a um tratamento terrível, como perfuração de olhos e torção da cauda. No Egito, bois brasileiros foram esfaqueados na face e nos olhos, e tendções dos membros foram cortados a fim de imobilizá-los para que fossem degolados (conscientes). Esse tratamento horrível é rotineiro no Egito.

FALHAS REGULATÓRIAS DURANTE O TRANSPORTE E FALTA DE SUPERVISÃO VETERINÁRIA

O apoio ao transporte de longa dist√ɬ¢ncia de animais por mar, apesar do conhecimento de todos os efeitos sobre o bem-estar dos animais, constitui um exemplo assustador de países que ainda não aceitam sua responsabilidade social e governamental de proteger animais contra danos físicos e mentais.

O Código Sanitário de Animais Terrestres da OIE (Organização Mundial de Sa úde Animal) estabelece padrções claros em relação às responsabilidades dos exportadores quanto a períodos de descanso, densidade de rebanhos e provisão de alimento e água. Por não haver fiscalização regulamentar para garantir a conformidade aos padrções ou o atendimento de demandas de bem-estar animal, é provável que ocorram violaçções graves nessas viagens, tal como foi documentado em navios exportadores da Austrália e da Europa.

Apesar de milhares de animais serem amontoados em navios, e depois isolados durante a travessia marítima, não há exigência de acompanhamento veterinário. Isso significa que animais doentes e feridos não têm acesso a cuidados veterinários durante a viagem — até 26 dias da América do Sul — nem há supervisão ou gerenciamento de riscos de doenças.

Não são publicamente disponibilizados registros oficiais de lesções e doenças ou mortalidade durante viagens partindo do Brasil. A maioria dos navios exportadores tem mais de 40 anos, não foram construídos especificamente com este propósito e não atendem a normas adequadas de infraestrutura e bem-estar animal.

A EXPORTAÇÃO DE GADO VIVO DO BRASIL VIOLA PADRÕES INTERNACIONAIS DE BEM-ESTAR ANIMAL

O Brasil é membro da OIE e, portanto, signatário de seus padrções de bem-estar animal, deveria assumir o compromisso de respeitá-los. Apesar de os ministérios relevantes saberem da extrema crueldade às quais animais são submetidos rotineiramente na exportação, o Brasil não tomou nenhuma providência para implementar medidas adequadas para protegê-los contra abusos terríveis.

Ao fornecer animais vivos a países onde a maioria dos abatedouros não tem capacidade para manejar ou abater animais de forma humanitária, o Brasil está prejudicando o trabalho da OIE para melhorar padrções globais de bem-estar animal.

O cumprimento dos padrções da OIE tem como objetivo constituir a base de acordos comerciais entre países, mas o comércio do Brasil com o Egito e o Líbano não respeita as diretrizes de bem-estar da OIE, nem no transporte nem no momento do abate.

A Associação Mundial de Veterinária pediu maior adesão a “padrções aceitos globalmente" para reduzir “riscos significativos para o bem-estar dos animais, já que milhções de animais vivos são transportados a cada ano".

ANIMAIS ESTÃO SENDO MORTOS EM ABATEDOUROS SEM PROTOCOLOS HIGIÊNICO-SANITÁRIOS

A exportação de animais vivos coloca em risco o bem-estar humano e animal. A maioria dos abatedouros nos países importadores não possui protocolos higiêncio-sanitários, e a carne processada nesse ambiente seria considerada imprópria para consumo humano no Brasil, conhecida por seus padrções sanitários.

NÃO EXISTE IMPERATIVO ECONÔMICO PARA A EXPORTAÇÃO DE GADO VIVO РÉ CRUELDADE DESNECESSÁRIA

O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de carnes. O país exporta carne para todos os países aos quais também envia animais vivos, inclusive quantidade significativa para o Egito, onde a crueldade com animais é sistêmica. Em 2015, o comércio de carne embalada atingiu US$ 5,9 bilhções e o comércio de gado vivo US $ 210 milhções, com exportação de gado vivo representando apenas 0,24% do total das exportaçções agrícolas.

VETERIN√ɬÅRIOS CONTRA EXPORTA√ɂİ√É∆íO DE GADO VIVO — AUSTR√ɬÅLIA

Como as inevitáveis implicaçções negativas da exportação de gado vivo no seu bem-estar tornaram-se mais conhecidas, há um movimento crescente de profissionais veterinários que se posicionam contra esse comércio. Um desses grupos está baseado na Austrália, um país de grande exportação.

O VALE (Vets Against Live Export — Veterinários contra Exportação de Gado Vivo) constitui uma plataforma importante para a profissão veterinária se pronunciar de forma uníssona sobre questções de exportação de gado vivo. Estabeleceram uma estrutura que profissionais de sa úde animal em todo o mundo poderiam seguir.

DECLARAÇÃO PESSOAL OU COLETIVA CONTRA EXPORTAÇÃO DE GADO VIVO

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VALE:

  • defende transição da exportação de gado vivo para comércio de carne embalada;
  • defende a melhoria do bem-estar animal enquanto esse comércio continuar;
  • provê visão científica objetiva das questções de bem-estar animal;
  • faz comentários sobre exportação de gado vivo para a mídia;
  • envia ao governo padrções básicos para exportação de gado vivo;
  • levanta regularmente questções sobre problemas emergentes com o Departamento Australiano de Agricultura relativas a embarques com alta taxa de mortalidade;
  • registra solicitaçções de documentos de acordo com leis australianas sobre Liberdade de Informação;

Para mais informaçções sobre objetivos e atividades do VALE, visite www.vale.org.au

QUEM É A ANIMALS INTERNATIONAL?
A Animals International é o braço global da Animals Australia, principal organização australiana de defesa de animais. Reconhecida internacionalmente por campanhas estratégicas de conscientização p ública, suas investigaçções inovadoras chegaram a 16 países e influenciaram mudanças necessárias, incluindo reformas industriais e regulatórias. Suas investigaçções sobre o comércio mundial de exportação de animais vivos revelaram consistentemente o sofrimento dos animais exportados para o Oriente Médio e √ɬÅsia da Austrália, América do Sul e Europa, suscitando preocupação p ública e política sobre esse comércio global.

lcsarmiento@AnimalsInternational.org
www.AnimalsInternational.org

QUEM É O FÓRUM NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA ANIMAL ?

O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, maior rede de proteção animal no Brasil, conta com corpo técnico veterinário para dar embasamento a suas açções. Com mais de 130 organizaçções afiliadas em todas as regições, há mais de quinze anos atua na disseminação de defesa dos animais, na construção de uma sociedade onde a compaixão pela vida animal seja um valor nacional. Ao mesmo tempo, suas afiliadas proveem cuidado direto para milhares de animais vítimas de maus tratos ou abandono.

info@forumanimal.org
www.forumanimal.org

 

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